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Rusedski aponta Sinner favorito antes mesmo de Wimbledon começar contra Djokovic

Jannik Sinner pode já ter levado vantagem sobre Novak Djokovic antes de uma bola sequer ser sacada na semifinal de Wimbledon desta sexta-feira. A avaliação é de Greg Rusedski, ex-número 1 britânico, que aponta a programação do torneio e o desgaste físico do sérvio como fatores que penderam a balança para o lado do italiano desde o início. A partida é o segundo jogo do dia na quadra central do All England Club.

Os dois se enfrentam pela segunda semifinal consecutiva em Wimbledon. No ano passado, Sinner venceu com autoridade - embora Djokovic não estivesse em plenas condições físicas. O sérvio se vingou em janeiro, eliminando o italiano nas semifinais do Aberto da Austrália. Agora, os dois maiores favoritos ao título voltam a se cruzar, e o cenário logístico, segundo Rusedski, favorece o número 1 do mundo. Assim como grandes disputas em outras modalidades geram debates sobre condições de jogo e preparação - como quando a NAVI fatura US$ 1 milhão em Atlanta em circunstâncias dramáticas -, o contexto que cerca esse duelo pode pesar tanto quanto o talento em quadra.

Sinner tem demonstrado dificuldade com o calor intenso. No Aberto da França, em maio, o italiano desperdiçou uma posição vencedora contra Juan Manuel Cerundolo em meio ao calor de Paris. Ele atribuiu o colapso a uma doença, não ao calor, mas não foi a primeira vez que o ambiente quente comprometeu seu desempenho. É justamente aí que entra o fator programação: se a partida inaugural entre Alexander Zverev e o wildcard britânico Arthur Fery se prolongar por quatro ou cinco horas, Sinner e Djokovic entrarão em quadra com o calor do dia já dissipado - e podem até terminar o confronto com o teto fechado e o ar-condicionado ligado.

O calor como variável tática

"Ele não tem parecido confortável jogando no calor. Ainda está um pouco nervoso com o que aconteceu em Paris", disse Rusedski em seu podcast. "Se você é Jannik Sinner, você torce para que Zverev e Fery joguem quatro ou cinco horas, para que eu possa entrar em quadra lá pelas seis e meia da noite e eles fechem o teto, por favor. Aí ele não vai precisar pensar no calor. Se o primeiro jogo for rápido e o sol ainda estiver forte, Sinner tem um problema."

A análise de Rusedski não é trivial. O regulamento de Wimbledon permite o fechamento do teto da quadra central por razões climáticas, o que transforma completamente as condições do jogo - temperatura controlada, sem vento, bola mais pesada. Para um jogador que construiu seu tênis em superfícies rápidas e interiores, esse cenário pode ser decisivo.

O corpo de Djokovic após cinco horas em quadra

O segundo eixo da análise de Rusedski recai sobre o estado físico de Djokovic. O sérvio disputou a maior quartas de final da história de Wimbledon em duração, cinco horas e quinze minutos contra Felix Auger-Aliassime na terça-feira. Com 39 anos e apenas dois dias de recuperação, a dúvida sobre sua prontidão física é legítima.

"Acho que tudo gira em torno da condição física de Novak Djokovic", disse Rusedski. "Não podemos esquecer o que aconteceu em 2013, quando ele teve aquela batalha épica contra Del Potro e depois entrou em quadra contra Murray na final já um pouco esgotado, com um calor intenso. Aos 39 anos, mesmo com dois dias de descanso, é difícil se recuperar. O fisioterapeuta vai ser o homem mais importante da equipe."

Rusedski foi direto ao expressar sua opinião: "Pessoalmente, não acho que Djokovic vai se recuperar a tempo. Espero estar errado, porque se ele estiver bem, teremos uma grande partida. Mas acho que, aos 39, é pesado demais voltar daquele jogo. Sinto que Sinner quer partir para cima. Ele não chegou a uma final de Grand Slam e perdeu na Austrália - isso deve ter doído muito."

Uma final Sinner x Zverev no horizonte?

O ex-número 1 britânico projetou uma final entre Sinner e Zverev, embora com mais convicção sobre o italiano do que sobre o alemão. "Arthur Fery tem chances contra Zverev", avaliou Rusedski, o que justifica sua cautela em relação ao outro lado do quadro. O wildcard britânico tem surpreendido no torneio, e uma vitória sobre a segunda semente seria uma das maiores surpresas do Grand Slam inglês em anos recentes.

Para Sinner, chegar à final de Wimbledon representaria muito mais do que um troféu adicional. Seria a confirmação de que o número 1 do mundo é capaz de dominar todas as superfícies em alto nível - e de que a derrota em Melbourne, no início do ano, ficou para trás. O italiano chega ao confronto com a vantagem psicológica do histórico em 2024 na grama de Londres, com o corpo descansado e, potencialmente, com as condições climáticas ao seu favor. Djokovic, por sua vez, terá de provar mais uma vez que a idade é apenas um número - algo que fez tantas vezes ao longo da carreira, mas que agora exige um esforço ainda maior.