Tupinambás debatem luta pela terra e educação

tupi-1Foi realizado no final de semana na aldeia Serra do Padeiro, Terra Indígena Tupinambá de Olivença (Sul da Bahia), o encontro “Luta pela terra e educação na Terra Indígena Tupinambá de Olivença: troca de saberes entre pesquisadores, professores e comunidade”. Na ocasião, foram apresentados e debatidos trabalhos de 20 pesquisadores indígenas e não indígenas que vêm atuando junto ao povo Tupinambá das diferentes comunidades que compõem a TI.

Amparados em seus trabalhos, todos os pesquisadores enfatizaram a necessidade de se concluir com urgência o processo de demarcação da TI, que já se arrasta há doze anos, de modo a pôr fim às violações dos direitos de indígenas e não indígenas.

O encontro teve como objetivo propiciar um espaço de trocas entre pesquisadores de distintas áreas e filiações acadêmicas; contribuir para o fortalecimento dos grupos de jovens da TI, assim como para a formação continuada dos professores do Colégio Estadual Indígena Tupinambá Serra do Padeiro (CEITSP) e para o fortalecimento da escola; e, finalmente, oferecer subsídios para o registro e sistematização da memória tupinambá.

Além dos pesquisadores, as atividades envolveram lideranças, membros do grupo jovem da aldeia Serra do Padeiro e de outras comunidades, a coordenação de Mulheres da Associação dos Índios Tupinambás da Serra do Padeiro (AITSP), professores do CEITSP e representantes de outras escolas tupinambá e de entidades de apoio, como o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a Associação dos Advogados de Trabalhadores Rurais da Bahia (AATR/BA) e o Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Extremo Sul da Bahia (Cepedes). O encontro contou com o apoio da Coordenação Técnica Local da Fundação Nacional do Índio (Funai/Itabuna).

Os debates orientaram-se em torno de dois eixos principais: luta pela terra, e educação e cultura. Discutiu-se, entre outros temas, a caracterização estereotipada dos indígenas no período imperial e nos dias de hoje, os mecanismos de expropriação territorial empregados historicamente contra os Tupinambá, os impactos negativos de políticas ambientais conservacionistas na territorialidade indígena, a criminalização de lideranças ao longo dos séculos 20 e 21 e a repressão contra os Tupinambá.

Foram abordadas também as possibilidades de uma escrita indígena da história, a resistência tupinambá e o papel dos troncos velhos, a importância dos festejos religiosos na territorialidade indígena, as articulações políticas engendradas pelos Tupinambá contemporaneamente, a participação das mulheres na luta pela terra, os caminhos para o desenvolvimento de uma antropologia colaborativa e as potenciais contribuições da luta tupinambá para outros processos de resistência. Além disso, foram debatidos os avanços e limites da implementação da educação escolar indígena no contexto tupinambá, a construção de um projeto educativo formal como modo de organização sociopolítica, propostas de adequação de material didático, experiências em sala de aula e formação de professores indígenas.


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