O planalto de Sérgio Moro

marcos-wensePor Marcos Wense 

Uma simples pergunta, sem afirmar nada, terminou causando um já esperado alvoroço nas redes sociais, principalmente por parte de alguns bolsonaristas.

Estaria o ex-juiz Sérgio Moro arrependido de ter aceitado o cargo de ministro da Justiça e da Segurança Pública do governo Bolsonaro? Foram logo dizendo que eu estava errado. Calma! Só fiz uma indagação.

É evidente que Moro não está arrependido de ser um dos ministros do governo de plantão. É o caminho mais curto para chegar no Supremo Tribunal Federal (STF), instância máxima do Poder Judiciário. É o sonho de qualquer magistrado.

Confesso que fui infeliz na pergunta, que deveria questionar se Sérgio Moro estaria aborrecido com o presidente Jair Messias Bolsonaro. Criaria também uma insatisfação nos bolsonarianos. Mas não tanto como o arrependimento.

Moro foi indicado com todas as garantias de que seria um “superministro”. Pelo andar da carruagem, com embasamento em fatos e não em disse-me-disse, parece que não é bem o que foi prometido.

“Eu não vou interferir em absolutamente nada que venha a ocorrer dentro da Justiça no tocante a esse combate à corrupção. É liberdade total para trabalhar pelo Brasil”, disse o então presidente eleito sobre a nomeação de Moro.

Entre outros dissabores de Moro, a demissão da cientista política Ilona Szabó do cargo de suplente no Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, deixou o ex-juiz da imprescindível Operação Lava Jato chateado.

IIona foi indicada por Moro, que teve que “engolir” sua exoneração sem argumentos convicentes. Nos bastidores do Palácio do Planalto, o comentário é que a defenestração da cientista política foi uma “vingança”. Ou seja, os bolsonaristas atribuem os vazamentos dos relatórios do Coaf sobre Flávio Bolsonaro ao Grupo de Seguidores de Moro (GSM).

Claro que a demissão de uma suplente não iria provocar a saída de Moro do governo. No entanto, segundo pessoas mais próximas do ministro, se ocorresse com um de seus secretários, gente do primeiro escalão do ministério, a coisa ficaria mais complicada e insustentável.

Concluo o modesto editorial de hoje, um domingo de carnaval, pedindo calma aos leitores, sejam eles lulistas, bolsonarianos, ciristas ou de qualquer outro grupo político.

Estaria o ex-juiz Sérgio Moro aborrecido com o presidente Jair Messias Bolsonaro? Essa é a pergunta.

Marcos Wense é analista politico de Itabuna


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