Itabuna tem carnaval, é tem

josivaldo_perfil_2Por Josivaldo Dias

Se tem uma coisa boa quando rola carnaval em Itabuna é o fato de ter motivos e pautas para jornalistas, blogueiros e entusiastas da comunicação em geral. Hora de parar “pra” contarem suas histórias e fazer história. Pois bem, vamos analisar este evento de massa que gera controvérsias em Itabuna, mas anima pra caramba.

Pra começo de conversa é bom lembrar que 2020 é ano de eleição para vereança e prefeituráveis. Uma festa de massa como o carnaval (a maior festa do Brasil) sempre ajuda, convenhamos. Ela empolga os sonhadores e articuladores de plantão e ainda fortalece quem está no poder.

Mudando a ótica, vamos para a parte econômica.  Os comerciantes e prestadores de serviços da cidade, principalmente aqueles em que suas atividades desembocam e tem relações com o lance da festa, ligado a venda ou serviços voltados para o carnaval, ficam felizes da vida com o aumento do faturamento. A crise “está feia”.

O gestor do município mesmo enfrentando crise financeira para fazer investimentos na infraestrutura da cidade, com atrasos de salários de servidores, e com serias dificuldades na pasta na saúde, não desiste de fazer a festa “nem que a vaca tussa e o boi espirre”.  Afinal, o “povo” adora festa e no último ano de governo o gestor precisa deixar “legado”. Além do mais, o governador do Estado Rui Costa ‘Santo’ deu uma “boa grana, ajudou”.

Os mais críticos da festa estão furiosos: “como é possível uma prefeitura que abandona   a cidade fazer festa de carnaval?”; “estar gastando dinheiro que seria para saúde!”. Eles completam: “isso é pão e circo”, fazendo uma analogia a velha Roma do Império, lá por volta de 100 d.C.  onde o “povo” se contentava com alimento e diversão. Bom, não foi bem assim, a política do “panem et circenses” (pão e circo em Latim), gerou revoltas…

Olhando para uma gestão de prefeitura é importante lembrar da previsão de orçamento. Todos os anos estar obrigatoriamente na descritiva nos “Instrumentos de Planejamento Governamental” (desde a C.F. de 1988) recurso público alocado para a cultura, festas populares, promoção de eventos, dentre outros. Logo não tem nenhuma irregularidade do ponto de vista político ou jurídico em fazer a festa.  Provavelmente os questionamentos estejam atrelados ao “bom senso”, a “ética” e/ou “valores morais”.

Talvez, se fosse feita uma amostragem estatística uns três meses antes da festa sobre a realização do evento poderia expressar pertinho do “calor do carnaval” a percepção da maioria da população sobre a sua realização. Para quem não tem condições de pagar um festa de camisa, três ou mais dias de carnaval de “graça” (bom, não é de graça, mas…), é uma maravilha.

Josivaldo Dias é economista e especialista em planejamento de cidades (UESC).


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