As pesquisas e a sucessão municipal em Itabuna

marcos-wensePor Marcos Wense

Em andamento duas frentes partidárias visando a sucessão municipal de 2020. Ambas com a intenção de evitar que Fernando Gomes seja reeleito prefeito de Itabuna, o que significa o sexto mandato como gestor do centro administrativo Firmino Alves.

Uma está sendo coordenada por Jackson Moreira, eleito presidente do diretório municipal do Partido dos Trabalhadores. A missão é complicada. Não vai ser fácil reunir as legendas da base aliada do governo Rui Costa em torno da candidatura de Geraldo Simões.

Todos os partidos governistas, pelo menos os de maior expressão nacional, possuem seus prefeituráveis. De memória, temos Jairo Araújo (PCdoB), Aldenes Meira (PSB), Augusto Castro (PSD), Capitão Azevedo (PL), Eric Júnior (PP), Roberto José (Rede) e o próprio Geraldo Simões pelo PT. Não se sabe ainda qual o rumo que o ex-prefeito Claudevane Leite irá tomar.

A outra frente pode ter o PDT, Republicano (ex-PRB), PSL, PSDB, Podemos, PSC e o DEM. As quatro primeiras legendas com os pré-candidatos Mangabeira, Lourival Vieira, vereador Babá Cearense e o advogado Edmilton Carneiro, presidente da OAB local.

PTB e MDB correm por fora. No tocante ao petebismo, o ex-edil Ruy Machado, presidente do partido, já declarou sua intenção de apoiar à reeleição de Fernando Gomes. O emedebismo dos irmãos Vieira Lima, Lúcio e Geddel, pretende ter a vereadora Charliane Sousa como prefeiturável. A figura de maior destaque na legenda é o vice-prefeito Fernando Vita, histórico e fiel defensor do atual chefe do Executivo. O nome do PSOL é o professor Max, que representa muito bem a legenda.

Em comum entre as duas frentes, o fato de se autoproclamarem antifernandista. E esse antifernandismo vai se tornando mais público na medida que a rejeição ao atual gestor se consolida. A diferença é que na frente coordenada por Jackson Moreira tem o constrangimento da aliança do governador Rui Costa (PT) com o prefeito Fernando Gomes.

Problema mesmo é a discussão que já começa a dar os primeiros passos no emaranhado jogo político. Ou seja, os critérios para definir quem vai encabeçar a majoritária. Augustianos e azevistas não abrem mão das pesquisas de intenções de votos como principal elemento definidor, ficando o segundo colocado como vice. O mesmo deve acontecer na outra frente em relação aos correligionários do médico Antônio Mangabeira.

Vale lembrar que recentes consultas apontam Mangabeira, Capitão Azevedo e o ex-tucano Augusto Castro como os primeiros na corrida em direção ao centro administrativo Firmino Alves.

Em curso, uma proposta, ainda bem tímida e sem causar entusiasmo, que para muitos não passa de um delírio e que já morreu no nascedouro, de uma frente bem ampla. Um, digamos, “frentão”, a junção de todos os partidos e suas respectivas lideranças para evitar o sexto mandato de FG.

Certeza mesmo, é que tem muita água para passar sob a ponte da sucessão e muitas baronesas pelo caminho.

Marcos Wense é analista político


Porte e posse de armas

joao_jose_foto-blogPor João José

Uma legislação que impõe insegurança e medo à sociedade

Na atualidade percebe-se nos meios de comunicação que a violência está em crescimento com números alarmantes, no entanto, o que é estarrecedor é o crescimento de uma “onda ideológica” semelhante a que é presente nos Norte- Americanos, que tem por objetivo a aquisição de armas, como sinônimo de garantia de segurança pessoal, da família e da propriedade, sobretudo, a privada .

Por outro lado é notório que a metodologia de política para o combate a violência do atual governo federal impõe na sociedade medidas que atrelam o número de “armas liberadas a redução do número de violência”, no entanto, estudos mostram que esta ideia não procedi .

Conforme pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha de 31 de dezembro de 2018, mostra que “61% dos brasileiros consideram que a posse de armas de fogo deve ser proibida, por representar ameaça à vida de outras pessoas.” Logo, fica nítido que grande parte dos entrevistados, acredita que é necessário que o Estatuto de Desarmamento continue sendo respeitado e a política de controle de armas se mantenha.

Uma lógica que ainda precisa ser debatida e compreendida na sociedade sobre o Direito à posse da arma, que significa poder manter uma arma em casa, já para o cidadão que deseja andar portando uma arma é preciso ter direito ao porte. Desta forma é preciso instrumentalizar as pessoas sobre o novo processo de acesso a armas no país. Não para aumentar o uso destas “maquinas em sociedade”, mas para conscientizar do perigo que elas oferecem.

É evidente que esta instrumentalização não é algo a curto espaço de tempo, é preciso implementar a partir da educação básica ao nível superior.

A população brasileira conforme dados de pesquisas recentes, ficou perceptível que a sociedade está dividida entre posicionamentos a favor do armamento dos cidadãos/cidadãs, e, também, a proibição.

Com isto, surge a necessidade de problematizar estas questões nas escolas, na família, nas instituições religiosas, etc. Entretanto, é inadmissível um discurso propagado sem fundamentação teórica e ausência de dados estatísticos, a impor na sociedade uma cultura armamentista já falida e questionada em países onde esta foi implantada, a exemplo dos Estados Unidos.

O que causa perplexidade na sociedade é a política armamentista sendo seguida por outros estados, como o Rio de Janeiro, recentemente o atual governador daquele Estado afirma que “a decisão de abater bandidos não será apenas de snipers, a ordem é atirar e abater bandidos de fuzil”. Por outro lado, os atingidos têm endereço, cor e classe social pré-determinada. Em sua maioria são moradores das “comunidades criminalizadas” pela própria sociedade, como a menina de 8 (oito) anos que morreu depois de ser baleada no Complexo do Alemão, no último dia 21 de setembro de 2019, por uma bala perdida disparada pela polícia, conforme divulgado nos meios de comunicação .

Exemplos como este, e outros, que ocorrem periodicamente no Brasil deixa claro que a liberação do porte/posse de armas é perigosa, até mesmo na mão de quem foi preparado durante anos para manuseá-la, como a polícia. Consequente, segundo o Atlas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA afirma que a taxa de homicídios ultrapassa a marca nunca antes vista de 30 por 100 mil habitantes.

Isto posto, no sentido que se possa reduzir a violência, é necessário que esses dados sejam levados em consideração, é essencial que sejam criadas políticas públicas que visem garantir o efetivo direito fundamental à vida, que possam contribuir para o Estado de Direito.

Assim, segundo o Instituto Sou da Paz (ONG) de combate à violência com base em dados registrados no Superior Tribunal Eleitoral –TSE, dos 30 nomes beneficiados pelo setor de armas, 21 saíram vitoriosos nas urnas: 14 deputados federais e 7 deputados estaduais, ao todo fabricante de armas e munições destinaram 1,73 milhão para políticos de 12 partidos em 15 estados.

Estes dados deixam evidente que há grupos dentro do congresso que representam as empresas armamentistas e têm interesses particulares para a o aumento de número de armas entre a população. Nesta conjuntura, facilitar o acesso a armas de fogo não irá reduzir os índices de violência, tende a favorecer as estratégias e lucros das indústrias armamentistas e ampliar os conflitos.

Portanto, depois da implementação do decreto nº 9.685, de 15 de janeiro de 2019, que alterou o decreto nº 5.123, de 1º de julho de 2004, que regulamenta a Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003, e dispõe sobre o registro, posse e comercialização de armas de fogo e munição, significa o capital bélico ocupando espaço na sociedade brasileira, no entanto nenhum beneficio para população estas ações irão implementar, a não ser o aumento da violência, a morte de inocentes, e o número de assaltos.

Enfim, mais armas em casa trazem riscos de acidentes com criança, suicídio, briga de casais e discussões banais, a circulação de armas vai aumentando, e mais armas significam mais mortes.

João José é Sociólogo pela UESC, Especialista em historiografia brasileira, Planejamento de Cidades  e em Gestão Municipal.


A importância da “acabativa”

Fernanda NeisPor Fernanda Neis

Todo mundo super valoriza a iniciativa. Essa é uma das características mais levadas em conta quando fazemos dinâmicas em grupo ou vamos falar de nós e queremos exacerbar as nossas qualidades pessoais e profissionais. Pessoas com iniciativa são vistas como mais eficientes, mais agilizadas, mais capazes do que as outras. Mas talvez não seja exatamente assim.

Trabalhando em conjunto há mais de 20 anos, observando e procurando entender como as pessoas funcionam, agem e, principalmente, reagem (uma das minhas atividades preferidas), chego à conclusão que a iniciativa por si só não nos leva a lugar nenhum. Conheço muita gente que tem bastante iniciativa e vai começando um monte de coisas. Mas nunca termina nada. Começa uma faculdade e para. Começa um curso e desiste. Inicia um projeto e larga no meio.

Você não conhece meia dúzia de pessoas assim? Eu obviamente sou a favor de mudarmos de área comercial ou de atuação ou qualquer outra mudança que não nos faça felizes, mas a compulsão pela mudança, pelo recomeço, pela instabilidade não nos leva a lugar nenhum.

Para mim, mais importante do que termos iniciativa é termos “acabativa”. É passarmos por todas as fases de um projeto; o ânimo inicial, as dificuldades e a superação dessas, o desânimo, o cansaço, a impressão de que não vai dar certo. E talvez não dê mesmo. Mas só saberemos se formos até o fim. Só conseguiremos da próxima vez fazer melhor e ter sucesso, ou chegarmos mais perto deste, se cumprirmos todos os passos.

Tudo na vida tem seu lado menos bom. Qualquer livro que você leia ou história de pessoas bem sucedidas, a pessoa foi até o fim, comeu grama, sofreu, perdeu sono para atingir seus sonhos.

Seria um bom autoestudo pararmos e vermos quantos projetos, sonhos e trabalhos fomos começando e abandonando pelo caminho e pararmos para nos observar e entender o porquê dessas nossas atitudes. Vamos trabalhar a nossa acabativa?

Fernanda Neis é brasileira, diretora da escola DeROSE Method Tribeca, em New York, e consultora em mindfulness e meditação(https://home.derosemethod.org).


O discurso da paraninfa

flavia_paraninfaFlávia Pires Mata

(discurso de paraninfa – Administração – FTC Itabuna- 13/09/2019)

Boa noite à todos!

Excmª Srª. Assessora Acadêmica da Faculdade de Tecnologia e Ciências de Itabuna-Bahia, Sraª. Ana Lúcia Lima,

Excmª. Sra. Coordenadora do curso de Administração minha querida Maria Alice Dória,

Queridos colegas professores do colegiado de Administração, aos quais peço autorização para representar-lhes nessa noite, por acreditar que somos juntos responsáveis pelo sucesso dessa turma,

Senhores pais, mães, familiares, amigos e amigas de nossos formandos,

Minhas amadas formandas e meus amados formandos,

Não tenho como mensurar o tamanho da felicidade ao receber o convite para ser Paraninfa da turma. Por acreditarem, que algo que eu possa expressar, pode ser relevante nesse momento tão especial da vida de vocês.

Em um instante, minha mente foi preenchida das melhores lembranças: as cobranças, as reclamações, as aulas intermináveis, as mensagens pelo Watszap, as angústias, as tristezas, a preocupação com os prazos.

Mas presenciei também as conquistas, os aprendizados, as relações interpessoais, as vitórias, os sorrisos e os abraços.

Elaborando o presente discurso, busquei um estímulo de exemplos de superação….e só me vinha à mente…VOCÊS. É isso! Hoje, eu quero falar de vocês.

Eu escolhi algumas características que me lembra a personalidade de vocês e gostaria de compartilhar…

ANA KAROLINA, você representa a resiliência, ao provar que pode se adaptar às mudanças e realizar o melhor no tempo certo. Na vida, é preciso dar um passo pra trás, para dar um passo mais firme na frente.

ALINE, você representa a paciência em todas as situações. Com vc aprendemos que a paciência é a única solução para os males que não tem solução…isso traz equilíbrio para a vida!

ALLAN, você representa a persistência, quando tudo parecia estar perdido, você lutou por mais uma chance e foi rumo ao sucesso. A persistência é o caminho do êxito!

GINALDO, você representa a determinação, conciliar trabalho e estudo foi desafiador hein meu amigo? Na vida a mudança só acontece quando decidimos e agimos.

LAIZE, você representa a serenidade, quando manteve a calma nas situações. A serenidade é necessária para aceitar as coisas que não podemos mudar e continuar a luta em busca dos objetivos.
LARISSA, você representa o conhecimento, ao mostrar o quanto a prática do estudo engradece a alma. O conhecimento nos faz referência para a vida.

LOURIVAL, você representa o silêncio, ao se comportar de forma silenciosa mesmo em tempo difíceis. Em alguns momentos da vida precisamos acalmar o coração… o silêncio é a oração dos sábios.

MÁRCIA, você representa a amizade, você e sua dupla nos provaram que a amizade é o suporte necessário para vencer os desafios. É da faculdade que levamos os grandes amigos!

MARIA CONCEIÇÃO, você representa a fé! Porque todos nós temos a força de MARIA, como diz a música…Quem traz na pele essa marca, possui a estranha mania de ter fé na vida.

MIKAELY, você representa a personalidade forte, ao demonstrar que acredita no que deseja e realiza os objetivos no seu tempo. Tem uma frase que diz: Mude suas opiniões mas não perca seus princípios.

RAFAELA, você representa a Responsabilidade, ao nos passar a importância de levar à sério nossas missões. Ser responsável na vida é poder centrar nossas ações em busca dos nossos objetivos.

TAIS BRAITT, você representa o espírito empreendedor, ao acreditar em suas ideias, defender seus projetos e provar que pode dar certo. Na vida, precisamos acreditar em nossos propósitos.

Por fim, THAÍS OLIVEIRA, entre tantas características grandiosas, escolhi você para representar a família… em nome de todos… como é importante carregar o DNA dos nossos antepassados como exemplo de força! Afinal, quando as raízes são profundas, não há razão para temer o vento.

Gostaria de pedir licença aos formandos para homenagear nossos alunos que fizeram parte dessa turma mas, colaram grau em outro momento. Escolhi o AMOR para vocês representarem…pois é o amor que nos faz olhar o outro com os olhos do coração, essa festa também é de vocês!

Eu não preciso ir muito longe para mostrar que vocês são os grandes exemplos de superação. Qual a dúvida que a força existe dentro de vocês? Foram as quedas que os tornara mais fortes. Henry Ford nos lembra que o insucesso é apenas uma oportunidade para recomeçar de novo com mais inteligência.

Estamos caminhando para a Indústria 4.0… segundo Eduardo de Senzi, da Escola Politécnica da USP, em um artigo publicado no portal da revista Exame, “a tendência é que os profissionais do futuro precisarão ser criativos, flexíveis, visão ampla e trabalhem unidos. E vocês sabem que são capazes de assumir esse desafio.

Por isso, como minha última orientação, eu desejo que vocês se preparem para esse novo mercado, exerçam a linda profissão de Administrador, sem esquecer um só minuto o juramento que aqui fizeram.

O âmbito profissional exige direcionamento, e pra isso é necessário identificar qual o propósito de vida de vocês, cito mais uma vez as palavras que deve ecoar até hoje nos seus ouvidos….definam suas metas, tracem seus objetivos e iniciem suas ações estratégicas. Pois quem não tem um plano de vida pessoal, não consegue desenvolver seu plano profissional.

Independente do caminho que forem percorrer, façam o diferencial!

Exerçam a humildade para sempre aprender mais…

Valorizem seus pais e familiares, eles estarão aqui sempre que precisarem voltar ao ponto de partida para lembrar a essência de vocês.

Respeitem as diferenças dos colegas de trabalho, elas existem para que possamos nos aprimorar.
Agradeço muito à vocês pela oportunidade que eu tive de evoluir com a nossa convivência…

Uma vez professor… sempre professor, por isso contem comigo para o que precisarem. Tenho certeza de que nossos sentimentos agora se misturam pois há lembranças e uma gratidão enorme à Deus pela experiência vivida. Finalizo com as palavras mais bem definidas da função de Ser professor do pensador alemão Herman Hesse:

“Nada lhes posso dar que já não exista em vocês mesmos.
Nada lhes posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave.
Não posso abrir-lhes outro mundo de imagens, além daquele que há em suas próprias almas.Eu apenas ajudei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo”.

MUITO OBRIGADA!

Flávia Pires Mata é professora de Administração e Mestranda em Bioenergia


Tempos tenebrosos

joao_jose_foto-blogPor João José

Nos últimos dois anos o conceito de democracia, ações afirmativas e programas sociais vêm sendo alterados pelos discursos proferidos nas mídias falada e escrita, sobretudo os presentes nas redes sociais.

Embora seja notório que as fake news tenham participação nestes discursos de ódios e reprodução cultural que até a pouco tempo estavam adormecidos dentro de alguns “coraçãozinhos” da militância pela família, pela ética, e, principalmente pelo capital, ações intrínsecas de algumas instituições que fizeram nomes e ganharam poder/dinheiro sobre a miséria de milhares de pessoas.

Bom, o que pretendo não é tornar público um desabafo, no entanto, é um questionamento personalizado que remete-se a uma pergunta: Aonde estão estes defensores da Constituição, das instituições, quando o direito de produzir, de pensar , de externar é censurado sem hesitação da dada sociedade ? Centralizo meu questionamento a censura imposta pelo Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro Marcelo Crivella, a comercialização do Romance Gráfico da Marvel Vingadores, a cruzada das crianças, na Bienal do Livro.

Desta maneira, os reflexos dos 21 (vinte e um) anos de chumbo que o Brasil passou entre os anos de (1964 -1985), reacendem seus resquícios na contemporaneidade. Assim, cito alguns fatores que ocorreram nas décadas de (60-70-80) no Brasil,que se repetem no ano em curso, para relembrar temos:

O Supremo Tribunal Federal por 6 votos a 3, via Plenário concluiu que a extinção do desconto obrigatório da contribuição sindical no salário dos trabalhadores é constitucional. Desde a entrada em vigor da Lei 13.467/2017, que reformou mais de 100 artigos da CLT, o desconto de um dia de trabalho para financiar os sindicatos passou a ser opcional, mediante autorização prévia do trabalhador.
Não obstante, fica como resultado, o enfraquecimentos das reivindicações trabalhistas, a tentativa de sepultar os sindicatos, e, principalmente atingir, intrinsecamente, aos partidos de esquerda que têm nos sindicatos forças reproduzidas nas ruas, nos atos públicos e nas campanhas eleitorais.

Por outro lado, urge relembrar que a sede da UNE, na praia do Flamengo, Zona Sul do Rio de Janeiro, na década de 70 foi destruída por um incêndio criminoso e todas as organizações estudantis foram extintas e proibidas. Já no ano de 2019, o governo federal por medida provisória lança carteirinha ID Estudantil para estudantes da educação básica, tecnológica e superior.

O objetivo não é criar política afirmativa para os estudantes de baixa renda, a ação visa desmoralizar a União Nacional dos Estudantes –UNE, acabar com a sua fonte de receita e tentar calar os estudantes que fazem críticas contundentes ao atual governo federal.

Para complementar o governo brasileiro em uma canetada decretou o esvaziamento das funções da Fundação Nacional do Índio (Funai), e colocou na berlinda a demarcação de novas terras indígenas e a conservação do meio ambiente. Assim, uma medida provisória delega ao Ministério da Agricultura, chefiado por Tereza Cristina da Costa (DEM), até então líder da bancada do agronegócio na Câmara, a tarefa de identificar e demarcar terras indígenas no país.

Ou seja, o agronegócio, os grandes ruralistas e grileiros, tidos como uma das principais ameaças aos povos indígenas, quem na atualidade cria mecanismos para demarcação de terras.

Outros povos tradicionais como os quilombolas, também são atacados incisivamente com a Medida Provisória 870, além de fragmentar a política de regularização dos territórios quilombolas e indígena, também enfraquece as instituições que trabalham com esse segmento fazendo com que a política de Estado de devolver as terras para esses povos, que de fato são de direito dos territórios há mais de 400(quatrocentos) anos, e, no caso dos indígenas mais do que isso, não consiga avançar.

Portanto, fica nítido que ações do governo federal estão criando um retrocesso que os movimentos de várias categorias conquistaram com muitas lutas. Enfim, saímos de uma era das camadas sociais sendo valorizadas, e, tendo suas agendas colocadas em debates na mesa dos governos, para um período conservador, que impõe retiradas de direitos entre os povos tradicionais, artistas, intelectuais, estudantes, pesquisadores, etc.

Um período, atual, mais que tenebroso, principalmente, ao vê todas as conquistas sendo sepultadas por “canetadas”, que não presenciamos um grito dos detentores do poder. Dado ao exposto, adentramos em um período conservador, de perdas incalculáveis, onde as legislações que são criadas e alteradas beneficiam apenas uma elite, que não aceitou o encurtamento entre a Casa Grande e Senzala.

João José é Sociólogo, Especialista em Historiografia brasileira, Planejamento de Cidades  e Gestão Municipal.


A disputa eleitoral no PT

marcos-wensePor Marcos Wense

De início devo dizer que o PED (Processo de Eleições Diretas) do Partido dos Trabalhadores é exemplo de como se deve escolher os dirigentes partidários, com os filiados votando e exercendo democraticamente sua vontade política.

Os petistas vão votar na chapa nacional, estadual, municipal e no postulante à presidência do diretório local. O PED é a primeira etapa do PT visando as eleições de 2020 com os olhos voltados para 2022.

E aí não tem como não lembrar das famigeradas comissões provisórias, assentadas no manda quem pode, obedece quem tem juízo. São quase sempre usadas como instrumento do mandonismo dos que se acham proprietários das legendas, inimigos da imprescindível democracia nas agremiações partidárias.

O PED do PT de Itabuna vai ficar na história do partido como um dos mais disputados, com três bons nomes postulando o comando do diretório municipal: Jackson Moreira, Miralva Moitinho e Valdir Mesquita.

O que não é verdade é a informação de que o processo eleitoral acontece sem atrito e de maneira civilizada, tudo na santa paz. Não é bem assim. O pega-pega, antes restrito aos bastidores, se tornou público.

Flávio Barreto, atual presidente do PT de Itabuna, ligado ao ex-prefeito Geraldo Simões, disse ontem nas redes sociais que “a verdade vencerá o ódio e a mentira”, obviamente se referindo a falsa notícia de que Geraldo teria jogado a toalha e admitido a vitória de Miralva.

Mais uma prova de que o clima da disputa é acirrado e com golpes abaixo da cintura, foi a divulgação do registro de filiação de Thiago Feitosa, filho de Geraldo, no PSL, hoje o partido do presidente Bolsonaro. Ora, ora, que bobagem, hein! O fato aconteceu em 2013.

O PED acontece hoje. Que o resultado seja aceito por todos. É evidente que a vitória de Miralva ou de Valdir significa uma reviravolta no petismo itabunense, com a cúpula estadual do partido sendo derrotada, o que vem a fortalecer o movimento que prega candidatura própria ao governo do Estado na sucessão de 2022.

Até as freiras do convento das Carmelitas sabem que lá na frente os dois PTs vão se confrontar. O que segue a orientação do governador Rui Costa e o mais próximo do senador Jaques Wagner.

Marcos Wense é analista político


“Reconhecimento é a melhor forma de estimular alguém”, diz Cortella

O salário não é a principal fonte de insatisfação dos brasileiros dentro das empresas. Mais do que uma remuneração condizente com o que seria justo pelo seu trabalho, as pessoas querem ser reconhecidas e valorizadas dentro das organizações.
Ser mais uma peça da engrenagem é um fardo nos tempos atuais, defende o filósofo Mário Sérgio Cortella. Docente, educador, palestrante e consultor de empresas, Cortella afirma que a principal causa da atual desmotivação é a ausência de reconhecimento. E ela manifesta-se de várias formas: do chefe injusto à falta de valorização em cada projeto e tarefa. Não é uma questão puramente de promover o elogio desmesurado, mas uma forma de “dar a energia vital ao funcionário para continuar fazendo e seguindo em frente”. É principalmente evitar a mensagem de que “não ser mandado embora já é um elogio” ou que “o silêncio é a melhor maneira de dizer que está tudo em ordem”.

Em seu novo livro, Mário Sérgio Cortella fala sobre reconhecimento e de outras questões que considera inerentes à insatisfação de muitas pessoas hoje em relação ao próprio emprego. Em Por Que Fazemos O Que Fazemos, publicado pela Editora Planeta, o professor reflete sobre próposito e por que as pessoas almejam empregos que conciliam uma satisfação pessoal e a certeza de não realizar um esforço “inútil” dentro da sociedade. Este tipo de aflição ganha maior evidência com a geração millennial que passou a almejar um “projeto de vida que não soe como conformado”, ou seja, do trabalho pelo trabalho. É sonhar com o trabalho grandioso, com uma rotina que não seja monótona, com um ‘projeto que faça a diferença’. Por outro lado, é uma geração também que chega – em parte –  com pouca disciplina, que tem ambição e pressa, que vê seus desejos como direitos – e ignora os deveres.

Todas essas aflições corporativas têm moldado a forma de atuar das empresas e das pessoas na hora de se associarem a um emprego. Em momentos de crise econômica, elas ganham um nível de contestação ainda maior.

Em entrevista à Época NEGÓCIOS, Cortella comenta esses dilemas e mudanças, os “senões” de se fazer o que se ama e por que há uma “obsessão enorme por uma ideia de felicidade que não existe”:

As pessoas não querem mais somente um salário mais alto, querem acreditar que fazem algo importante, autoral. Por que a necessidade de ter propósito ganhou maior relevância? É uma questão geracional?
Ela é mais densa e angustiante na nova geração que enxerga muitas vezes na geração anterior, que a criou, certa estafa em relação ao propósito. É muito comum que jovens e crianças enxerguem hoje nos pais algum cansaço e até tristeza naquilo que fazem. O pai e mãe dizem “eu trabalho para sustentar, esse é meu trabalho”. Há uma grande conformidade. E essa conformidade de certa forma acabou marcando uma nova geração, a millennial, que traz aí a necessidade de ter algum projeto de vida. Eles não querem repetir um modelo que, embora esforçado, dedicado e valoroso soa, de certa maneira, como conformado. Hoje há uma aflição muito grande na nova geração de maneira que se traduz numa expressão comum: “eu quero fazer alguma coisa que me torne importante e que eu goste”. A geração anterior tinha um pouco essa preocupação, mas deixou um tanto de lado por conta da necessidade.

Quando o sr. se refere à geração Y, aos millennials, está considerando um recorte ou o todo?
Claro que temos recortes. Não estou falando de quem está atrelado ao reino da necessidade, que precisa trabalhar sem discussão porque precisa sobreviver. Esta é uma questão de outra natureza. O termo millennial que eu adoto, como muitos, é aquele que cunharam para quem nasceu a partir dos anos 1990. E essa geração tem recortes mais diretos em relação à camada social. Evidentemente se você considerar aqueles que são escolarizados, têm boa condição de vida e que estão acima da classificação oficial da classe D, essa geração tem mais possibilidade de escolha à medida que a sobrevivência imediata não é uma questão. Ela pode viver até mais tempo com os pais e ser por eles sustentada. Isso vem acontecendo. Já integrantes das classes D e E têm mais dificuldade – uma parcela às vezes encontra sobrevivência na transgressão, no crime de outra natureza e outros encontram aquilo que é o trabalho suplicial que o dia a dia coloca sem escolhas.

Como o senhor diz no seu livro até para ser mochileiro, você precisa ser livre de uma série de restrições…
Sim, você precisa dominar outro idioma, saber se virar. Há uma diferença entre um filho meu, de camada média, com uma mochila nas costas andando pela rua em relação ao modo que ele se conduz, à maneira como ele se dirige às pessoas do que ele ser, por exemplo, um andarilho. Uma pessoa pode até ser mochileira, mas ela já tem condições prévias que a tornam uma mochileira com menos transtornos do que como seria de outro modo.

O senhor diz frequentemente que, para fazer o que se gosta, é preciso fazer uma série de coisas das quais não se gosta. Esse entendimento provém de uma educação na empresa, da família ou escola?
É uma questão de formação familiar. Hoje há uma nova geração que, especialmente nas classes A, B e C, cresceu com facilitações da vida. Hoje a gente até fala em “adolescência estendida” que vai até aos 30 anos e não necessariamente até os 18 anos. São as pessoas que continuam vivendo com os pais, sob sustentação. Isso acabou levando também a uma condição, que uma parcela dos jovens entende que “desejos são direitos”, que vão obter aquilo porque é desejo deles e um outro vai providenciar. Cria-se assim a perspectiva equivocada de que as coisas podem ser obtidas sem esforço. Mas sabe, eu lembro sempre, trabalhar dá trabalho. Como costumo dizer: “só mundo de poeta que não tem pernilongo”. É óbvio que isso não anula a riqueza que essa nova geração tem de criatividade, expansividade, de receptividade em relação a vários modos de ser. Uma geração mentalmente rica, mas que precisa de um disciplinamento – que não é torturante, mas pedagógico – e que começa na família e vai encontrando abrigo na empresa. Essas estruturas são importantes para que essa energia vital não se dissipe. É preciso organizar essa energia de modo que não se perca com inconstâncias, para ser algo que possa de fato gerar benefício para o indivíduo e para a comunidade dele.

As empresas ainda não sabem lidar, de forma geral, com a energia desses jovens?
Não, elas ainda estão começando a aprender. Há algumas que já possuem uma certa inteligência estratégica e estão se preparando e preparando seus gestores para que acolham essa nova geração como um patrimônio e não como um encargo. Porque quando você acolhe a nova geração como um encargo, em vez dela ser “sangue novo”, ela se torna algo que é perturbador. E é claro que não é só o jovem que tem de se preparar para essa condição. É necessário que a pessoa que a receba seja acolhedora, mas que também se coloque em uma postura de humildade pedagógica. Que ela saiba que vai aprender muito com alguém que chega com novas habilidades que a geração anterior não tem. Lidar nos dois polos de maneira que equipes multigeracionais ganhem potência em vez de entrarem em situação de digladio ou confronto.

Nesses dois polos, os profissionais mais seniores ficam inseguros com receio de que seu papel não seja mais relevante nas organizações. Como eles podem lidar com esse novo cenário?
Eu só conseguirei ter essa percepção de que estou ficando para trás se eu deixar de lançar mão daqueles que chegam com coisas que eu ainda não conheço. E aí eu não vou ter só a percepção, eu vou ficar mesmo para trás. A gente aprende muito com quem chega, mas a gente também tem o que ensinar. Tem dois princípios que precisamos implantar: 1) quem sabe, reparte 2) quem não sabe, procura. Se eu formar seniores e juniores nesses dois princípios, de um lado vai ter generosidade mental e de outro a humildade intelectual. Essas duas trilhas virtuosas serão decisivas para que a gente construa maior potência no que precisa ser feito.

Com todos esses dilemas e mudanças, a ambição é necessária? Uma pessoa ambiciosa é boa ou perigosa para a empresa?
A pessoa ambiciosa é aquela que quer ser mais e melhor. É diferente de uma pessoa gananciosa, que quer tudo só para si a qualquer custo. Uma parte do apodrecimento que nosso país vive no campo da ética hoje se deve mais à ganância do que à ambição. Eu quero um jovem ambicioso. Eu, Cortella, sou ambicioso. Quero mais e melhor. Mais e melhor conhecimento, mais e melhor saúde. Mas não quero só para mim e a qualquer custo. A ganância é a desordem da ambição. É quando você entra no distúrbio que é eticamente fraturado. Por isso, é necessário que uma parte dos jovens seja ambiciosa. Um ou outro tem sim essa marca da ganância caso ele seja criado em uma família, estrutura, comunidade, na qual a regra seja a pior de todas: “fazemos qualquer negócio”. E essa regra é deletéria, é malévola aos negócios que, embora possam ser feitos, não devem ser feitos. A ambição é necessária, mas a ganância tem que ser colocada fora do circuito.

E quando você junta ambição e pressa? 
Não é algo que traz bons resultados. Uma das coisas boas da vida não é ter pressa, é ser veloz. Se você faz um trabalho apressadamente, você vai ter que fazer de novo. Quando eu vou consultar médico, eu quero velocidade para chegar à consulta, mas eu não quero pressa na consulta. Velocidade resulta de perícia, habilidade, de ser alguém que tem competência no que faz. A pressa resulta da imperícia. Por isso, o desenvolvimento da perícia, habilidade, competência permite que se faça algo velozmente. E se sou veloz, aquilo que resulta da minha ambição pode se transformar no meu êxito. Se sou apenas um apressado, vou ter que lançar mão de trilhas escusas para chegar ao mesmo objetivo – e o nome disso é Lava Jato.

Há um certo profissional que prefere hoje estabilidade e quer seguir uma carreira linear, sem grandes saltos. Mas é visto como um profissional medíocre. Ele está errado?
É um direito que ele tem. Uma pessoa tem direito de fazer essa escolha, mas ela também não pode se lamentar em relação ao resultado que isso traz. Afinal de contas, essa é uma vida morna, sem vibração. Não é uma que eu gostaria de seguir. Mas pode ser feita. Ninguém é obrigado a atuar de um outro modo. Eu acho que escolher essa vida irá beirar, em algum momento, à monotonia e isso gerará tristeza e frustrações.

Essa pessoa não projeta provavelmente as expectativas dela dentro da empresa?
Não, ela apenas vê aquilo ali como emprego. Emprego é fonte de renda e trabalho é fonte de vida. Trabalho dá vitalidade, emprego pode te dar dinheiro. Qual a diferença entre trabalho e emprego? O trabalho você faria até de graça. Há pessoas que encontram no emprego o trabalho que gostariam de ter. Há pessoas que não encontram e são infelizes e outras ficam apenas na rotina do emprego. Não seremos nós a dizer a alguém que ele não pode fazer isso, mas a mediocridade como escolha não deixa de ser mediocridade só porque foi escolhida.

Do mesmo modo, há quem projete todas as expectativas dentro da empresa…
Sim e isso tem piorado muito. Como o ambiente econômico piorou e a vida ficou mais complexa em relação à condição de sobrevivência, muita gente se encontra desmotivada. Ela até faz, mas não queria estar fazendo daquele modo e às vezes nem tem clareza do porquê está fazendo.  A empresa precisa entender que necessita criar movimentos de estímulo em relação a essa atividade, promover formação continuada, reconhecimento, tudo aquilo que faz com que a pessoa ganhe energia e receba combustível. Ninguém motiva alguém, o que se pode é estimular. A motivação é movimento interno – mas uma pessoa se encontrará mais motivada se ela for estimulada a fazê-lo. Empresa inteligente faz isso, promove momentos de reconhecimento para que as pessoas se sintam autorais naquilo que fazem, nos quais as pessoas entendam que as empresas se interessam por elas e não somente as usam. Entendam que são um bem, não apenas uma propriedade no sentido maquinário do termo. E quem é cuidado por uma organização também vai querer cuidar dela.

Em uma empresa com hierarquia muito rígida, é muito difícil fazer isso caso a caso, correto?
Se a empresa não tiver isso vai ter que inventar. Se ela é capaz de inventar participações do mercado, novas tecnologias e inovação, ela terá também de buscar inovação na formação de pessoas. Isso dá trabalho, mas é garantia de futuro. Quando a empresa fala que o maior ativo é gente, isso precisa ser demonstrado. Lealdade é reciprocidade. Se eu não percebo lealdade por parte de quem me contrata quanto à minha dedicação… eu preciso ver que a empresa se dedica a mim também. E isso não é com relação ao meu salário, porque eu vou sempre querer que ele seja superior, mas que seja evidente que a empresa consegue cuidar de mim, ajudar a aumentar minha capacidade, competência, não me colocar apenas como um peão de xadrez dentro do tabuleiro. Porque aí uma hora a reciprocidade virá.

No livro, o senhor defende que as empresas devem realizar atividades que façam seus funcionários refletirem sobre o propósito do trabalho que realizam. Por que essa é uma atividade tão rara nas empresas?
Algumas empresas temem que, ao promover essa revisão, a pessoa abandone a companhia. Só que é necessário promover situações, criar ocasiões que levem a refletir sobre a razão de estar ali para que quando a pessoa resolva continuar na empresa, ela fique de modo mais legal, mais persistente e sólido. De nada adianta eu ter um grupo que nem pensa sobre a razão e no primeiro tropeço desiste, enfraquece, perde energia. É uma medida cautelar, é criar ocasiões que façam vir à tona as razões e os senões pelas quais alguém está ali. Assim é possível corrigir e dar maior densidade à razão para que ela continue de uma forma muito mais substantiva. É questão de estratégica, um caminho de perenidade que seja maior do que aquele que traz apenas uma ilusão ou  uma simulação de lealdade.

Se você olhar para as organizações que não têm um produto muito mais admirado, como elas podem fazer para atrair e reter talentos em um mundo onde o propósito é mais valorizado?
Há algumas pessoas que não querem mais trabalhar em uma organização que comercializa algo que seja malévolo, menos sedutor, encantador. Isso tem levado as próprias empresas a reorientarem seu modo de atuação. Um dos produtos que hoje está no alvo é o refrigerante, sendo visto como fonte de malefício. Mas as grandes empresas do varejo vêm reordenando a sua atuação nesse campo de maneira a tornar aquele produto como algo que não seja entendido como maléfico. É difícil trabalhar hoje na indústria do tabaco, na indústria armamentista. Mas veja bem, o que é trabalhar na indústria armamentista? É trabalhar naquela que faz míssil ou naquela que faz computador que também é colocado no míssil? Essa inter-relação leva a uma revisão dessas percepções. A empresa não pode ser sedutora apenas na aparência, precisa explicitar os compromissos que tem. É muito mais difícil enganar alguém hoje do que há algumas décadas. A fonte de informação é imediata. Não sou tão iludível quanto era quando era menino. Um jovem de 20 anos tem informações sobre uma organização que não se conseguia tão facilmente antes.

O senhor aponta no livro que o maior descontentamento atual dos funcionários nas empresas não é salarial, mas a falta de reconhecimento. Por que a questão ganhou força nos últimos anos?
Hoje há um anonimato muito forte na produção. Como a gente tem uma estrutura de trabalho em equipe muito grande, o trabalho em equipe quase leva à anulação do reconhecimento do indivíduo. E isso significa que um trabalho em equipe não prescinde da atuação de cada pessoa. É necessário que não se gere anonimato. Eu insisto: reconhecimento não é só pecuniário, financeiro, é autoral. É necessário que a empresa exalte, mostre quem colaborou com aquilo. À medida que você tem reconhecimento, comemoração, celebração, isso dá energia vital para continuar fazendo. Não se entende aquilo como sendo apenas uma tarefa. O reconhecimento ultrapassa a ideia de tarefa. Não sei se seu pai fazia isso, mas chegava em casa com o boletim da escola, altas notas, e ele dizia: “não fez mais que a obrigação” – isto é altamente desestimulador. É preciso reconhecer, dizer que é bacana, comemorar. Aquilo que estimula a continuar naquela rota. Reconhecimento é a principal forma de estímulo que alguém pode ter.

No livro, o senhor também cita a obsessão por “uma tal ideia de felicidade” que acaba levando as pessoas a viverem muito mais a expectativa do que a realização. Por que isto ocorre?
A felicidade não é o lugar onde você chega. A felicidade é uma circunstância que você vivencia no seu dia a dia. Não tem “a felicidade”. Você tem circunstâncias de felicidade, ocasiões, que quando vêm à tona não devem ser deixadas de lado. Ninguém é feliz o tempo todo – isso seria uma forma de idiotia – à medida que a vida tem suas turbulências. Mas quando ela vier, admita a felicidade. Colocar a felicidade só num ponto futuro, inatingível, isso é muito mais resultante de uma dificuldade de lidar com a questão do que concretamente uma busca efetiva. Por isso, sim, a felicidade é uma desejo porque o mundo tecnológico nos colocou em contato com tantas coisas, mas nos deu uma certa marca de solitariedade, de ficar solitário com relação àquilo que se tem, a uma ausência de contato muito forte. Tudo é muito virtual e isso acaba gerando desconforto interno, angústia nas pessoas. E a felicidade é um nome que as pessoas dão para superar essa angústia.

O que é felicidade para o sr?
É a que eu tenho na minha vivência. Quando percebo uma obra feita, uma aula bem dada, um abraço sincero, afeto verdadeiro, conquista merecedora. São meus momentos de felicidade. Não são um lugar onde desejo chegar.


Acordo que condena o Brasil ao atraso

bresser pereiraPor Luiz Carlos Bresser-Pereira

Os jornais informam hoje que depois de 20 anos de negociação o Brasil fechou acordo com a União Europeia. E a notícia é recebida pelos brasileiros de direita e de esquerda, liberais e desenvolvimentistas.

Apenas Celso Amorim, o grande ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil, mostra-se preocupado, mas não com o efeito maléfico deste acordo em relação à indústria; adverte apenas que com um Brasil e seu governo muito enfraquecidos, essa não foi a melhor hora para fechar um acordo.

Os economistas do Ministério da Economia, praticantes eméritos da futurologia, preveem que o acordo entre Mercosul e União Europeia pode aumentar as exportações brasileiras à região em quase US$ 100 bilhões até 2035. E esperam um impacto positivo no PIB) brasileiro de US$ 87,5 bilhões em 15 anos.

Os economistas da Confederação Nacional da Indústria, que deviam estar preocupados com o gravíssimo processo de desindustrialização, entram no jogo e apostam que o acordo pode agregar US$ 9,9 bilhões às exportações do Brasil para a região, representaria um aumento de 23,6% em dez anos.

Na verdade, esse acordo é um desastre para o Brasil; é mais um passo no sentido de desindustrializar o sonho dos Ocidente imperial e do liberais dependentes brasileiros de tornar o Brasil um mero exportador de commodities cujo PIB continuará crescendo a uma taxa anual por habitante de apenas 1 por cento ao ano, ficando, dessa maneira, cada vez mais para trás não apenas dos demais países em desenvolvimento mas também dos países ricos.

Como posso eu fazer essas afirmações se, em 1987, como Ministro da Fazenda, eu fui o primeiro a iniciar a liberalização comercial brasileira, e que continuo um forte defensor da abertura e da competição internacional? Por uma razão muito simples, que eu desconhecia há 30 anos atrás, mas hoje sei muito bem. As elevadíssimas tarifas aduaneiras acompanhadas por controles administrativos de importação não eram protecionismo, ao qual me oponho, mas uma forma de neutralizar a doença holandesa em relação ao mercado interno. Quando em 1990, depois da preparação iniciada por mim, o Brasil baixou suas tarifas médias de importação de 45 por cento para 12 por cento, desmontamos nosso sistema de neutralização da doença holandesa e a indústria brasileira passou a enfrentar uma desvantagem competitiva muito grande.

Para o Brasil voltar a se industrializar e a crescer realizando o alcançamento, além de superar a crise fiscal e voltar a aumentar a poupança e o investimento público, o Brasil deveria aumentar de forma linear suas tarifas de importação de manufaturados. Ao fazer isso, não estaria sendo protecionista, mas estaria estabelecendo igualdade de condições para as empresas localizadas no Brasil (nacionais ou multinacionais) em relação às empresas localizadas em outros países.

Eu conheço bem o ridículo argumento liberal a favor de uma taxa de câmbio apreciada: “ela obrigará as empresas nacionais a serem mais competitivas”. Obrigar as empresas a serem mais competitivas do que já estão sendo obrigadas desde 1990? Sugerir que são apenas as empresas nacionais que estão sendo prejudicadas, quando hoje boa parte da indústria já está nas mãos de empresas multinacionais?

No momento presente a apreciação cíclica e de longo prazo do real que a Teoria Novo-Desenvolvimentista prevê em função da doença holandesa e de juros altos não está ocorrendo e o real não voltou a se apreciar fortemente depois da crise financeira de 2014-2015. Isto acontece porque a taxa de juros baixou, e porque o Brasil continua em crise não apenas econômica mas também política, de maneira que nem nacionais nem estrangeiros têm confiança na economia brasileira, e a taxa de câmbio se mantém em um nível relativamente competitivo.

Mas quando o Brasil faz um acordo como esse que está fazendo com o Mercosul, os brasileiros e seu governo deveriam pensar no longo prazo e estar usando a melhor teoria econômica disponível. Não é isso que estão fazendo, mostrando não conhecer a teoria relevante para essa questão e não ter capacidade de pensar de maneira independente. Ao assinar esse acordo, eles estão condenando a economia brasileira e sua indústria ao atraso.

Luiz Carlos Bresser-Pereira é economista, professor, escritor e ex-ministro.


Cidades médias e pequenas do Nordeste

josivaldo_perfil_2Por Josivaldo Dias

A seguir mostramos o  nosso resumo  do  artigo  de autoria de Doralice Sátyro Maia, publicado  na série de “Estudos e Pesquisas, número  87 ” da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia-SEI, no ano de 2010.

O artigo discute sobre as cidades médias e pequenas no Brasil, e apresenta dados estatísticos das realidades delas no Nordeste brasileiro no âmbito dos estudos da geografia e da urbanização.

As chamadas monografias urbanas, arcabouço metodológico que abrange os estudos e trabalhos brasileiros sobre as diversas cidades, revelam de acordo Maia, a diversidade das cidades, e ajuda a entender o processo de urbanização brasileiro, e em escala dinâmica do quadro das cidades médias e pequenas. (p. 16)

Nos aspectos da crítica aos estudos já realizados historicamente na área da geografia urbana até os anos de 1970 , a autora destaca  relevância com o  surgimento de autores como Milton Santos, Roberto Correa, Ariovaldo Umberto dentre outros. Principalmente com a divulgação de suas produções após os anos 1989 que começam a instigar a indagação sobre os estudos de metrópoles, e se estes, poderiam serem aplicados em cidades menores. (p. 17)

O desejo e necessidade de compreender as cidades médias e pequenas brasileira como algo importantes e singular é apresentado no qual já se pode hierarquizar urbanamente os conceitos e tamanho, a partir do material produzido também pelo IBGE. Dito isso, as cidades pequenas seriam aquelas com população até 20 mil habitantes, e as cidades médias, deste número até 500 mil, e acima deste, seriam as cidades grandes. (p.18)

Ainda há de considerar na classificação das cidades, as questões econômicas, as questões políticas e o  contexto social na formação destas cidades, sendo que segundo Milton Santos citado por Maia, algumas cidades pequenas seriam denominadas de “cidades locais”, ou até “cidades de subsistências”, e ainda as “cidade do campo”, para relacionar esta última ao papel desempenhado de ponte entre o “global e o local”, na oferta de bens e serviços a uma população regional. (p.21)

Em se tratando das cidades médias e pequenas especificamente no Nordeste brasileiro, embora estas apresentam similaridades com outras cidades de outras regiões do Brasil, elas possuem “diversidades, e, e ao mesmo tempo características singulares, que podem ser entendidas como regionais”. (p. 24)

No Nordeste, na classificação das cidades até 20 mil habitantes é preciso extrai destas as cidades com população de 1 mil até 5 mil habitantes. Maia define bem suas características:

São na verdade, as pequenas cidades, ou mesmo cidades locais, como expressou Milton Santos, que pouco oferecem de serviços e de estrutura urbana, que mantém relação intrínseca com o campo, bem como com o núcleo em nível superior da hierarquia urbana. Este quadro perfaz um total de 716 localidades, distribuídas por todo o território regional, inclusive no litoral, coincidindo na maioria das vezes, com as pequenas localidades utilizadas como segunda residência, ou como cidades que integram a região metropolitana da cidade hierarquicamente superior. (MAIA, 2010, p. 24)

Algumas cidades particularmente como as do estado Rio Grande Norte, tem destaque socioeconômico, a exemplo de atividades extrativistas de produção de sal e petróleo, porém o resultado financeiro destas atividades, pouco aquece os investimentos nas pequenas cidades.(p. 27)

Maia fez as contas das cidades de 20.001 a 50 mil habitantes e observou no Nordeste, um total de 156 nesta publicação do ano de 2010. Entre 50.001 e 100 mil, reduz para 38, o que se aproxima do número das cidade entre 100.001 e 500 mil habitantes que soma 31 núcleos. O restante são as cidades pequenas, menor que 20 habitantes (p. 29)

As cidades de até 20 mil habitantes sobrevivem basicamente dos repasse do Fundo de Participação dos Municípios(FPM), de outros recursos da União e dos Estados; e ainda da economia rural. No mais, elas são altamente dependentes de comércio e serviços mais especializados das cidades centrais a estes núcleos. (p.29)

Do total de 9 cidades apenas, acima de 500 mil habitantes no Nordeste onde 8 delas são capitais,  apresentam centralidades em função dos serviços administrativos, pelos atrativos turísticos, e expansão das empresas comercias e prestadores de serviços como nas áreas de saúde e educação, além de redes de restaurantes e hotéis, dentre outras atividades econômicas. As cidades entre 100 mil e 500 mil habitantes(31), como exemplo de Campina Grande, Feira de Santa e Vitória da Conquista (dados do IBGE 2010), também exercem papel importante na sua centralidade, com a oferta de bens e serviços. (p.34)

Para fins de finalização deste resumo, sugere-se para o maior entendimento e aprofundamento sobre as realidades urbanas das pequenas e medias cidades do território brasileiro, em especial do Nordeste, ir além dos dados fornecidos pelas instituições de estudo estatísticos e planejamento. Há uma necessidade de ir em campo para observar, conhecer e colher mais informações destas realidades.

Josivaldo Dias é Economista, Especialista em Planejamento de Cidades(UESC), e estudante do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional e Urbano da UNIFACS.


Bahia Cacau, exemplo a ser seguido

Por Josias Gomes josias 2

A Bahia Cacau gerida pela COOPFESBA (Cooperativa da Agricultura Familiar e Economia Solidário da Bacia do Rio Salgado e Adjacências) é a primeira fábrica de chocolate da Agricultura Familiar no Brasil e vem revolucionando a indústria do chocolate.

O fomento do Governo do Estado, através da SDR e o Programa Bahia Produtiva, foi decisivo para o desenvolvimento e expansão desse promissor mercado. Até o momento, foram feitos investimentos de R$877 mil com foco na qualidade da amêndoa, oriundas do plantio ao chocolate no município R$ 1,9 milhão no acesso ao mercado e mais de R$ 642 em assistência técnica.

bahia cacau (1)A maneira como a Cooperativa realiza o seu cultivo merece destaque. É a famosa “cabruca”, feita sob a sombra das imensas florestas de Mata Atlântica da região Sul da Bahia, seguindo os saudáveis processos de controle agroflorestais. Este controle de qualidade é um diferencial de mercado. Os consumidores estão dispostos a pagar mais por produtos que tenham compromisso socioambiental e valores agregados. Pensando no mercado externo, este valor agregado sobe consideravelmente.

A Bahia Cacau tem em seu portfólio barras de chocolate com 35%, 50%, 60% e 70% cacau, amêndoas torradas e processadas em nibs e bombons recheados com frutas. Tanto potencial reunido só poderia resultar em um show de vendas na Naturaltech.

Parabéns companheiros e companheiras da Bahia Cacau, um dos stands mais saborosos da exposição!

Josias Gomes é  Deputado Federal (licenciado) do PT/Bahia e atualmente titular da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR). Se concorda, compartilhe