Visita de campo dos representantes da Cargill ao projeto “Construindo o Amanhã”.

 

Idealizado pela Cooperativa de Desenvolvimento Territorial (COOPERAST) e apoiado pela Fundação Cargill, o projeto impactará diretamente 20 famílias, gerando mais empregos e renda às famílias  do Litoral Sul da Bahia (municípios de Buerarema, Una e Uruçuca).

Com o projeto, a cooperativa mostrará às instituições e agricultores que é possível plantar, cultivar diferentes culturas ao longo do ano e ainda sim, conservar a Mata Atlântica. A ideia é que, através do Sistema Agroflorestal (SAF), todos possam cultivar Seringueira, Cacau, Goiaba, Açaí, Milho, Feijão de corda, Abóbora, Feijão de porco, Aipim, Quiabo, Banana e Gengibre, sempre preservando o solo, animais silvestres e a flora. A cooperativa ainda pretende unir esse ponto à questão do empoderamento feminino e a importância do jovem na agricultura.

SISTEMA AGROFLORESTAL (SAF)

Segundo Maicon Silva de Oliveira, Engenheiro Agrônomo do Projeto “Construindo o Amanhã”, o SAF pode ser explicado como sendo a integração de árvores em paisagens rurais produtivas.

A implementação desses sistemas agroflorestais se dá através do plantio de culturas agrícolas adaptadas, sob a sombra de árvores da Mata Atlântica. “O agricultor introduz espécies agrícolas em áreas onde já têm espécies nativas, aproveitando as clareiras para plantar culturas de ciclo curto e médio, a exemplo das hortaliças e anuais, gerando uma renda mais rápida, enquanto a cultura agrícola principal aguarda a chegada da produção” finaliza Maicon.

A IDEALIZAÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO DO PROJETO

De acordo com a COOPERAST, o projeto funcionará em forma de parceria e foi idealizado com base nas atividades que a cooperativa já realiza na região desde 2005.  O projeto terá prazo de um ano para a montagem do sistema.

“Entramos com a assistência técnica e insumos, e os agricultores com a área e a mão de obra. O projeto tem o prazo de um ano para a montagem do sistema agroflorestal. Nesse período o agricultor poderá plantar cacau, seringueiras, algumas árvores frutíferas, adubo verde e culturas anuais. Queremos mostrar ao agricultor que ele pode ter renda com culturas de ciclo curto, médio e longo prazo, evitando projetos de monoculturas onde o mesmo tem que custear até a cultura principal”, explica Walter Lima de Sousa, Engenheiro Ambiental e Coordenador de Assistência Técnica do projeto.

Sousa complementa falando que o SAF já é utilizado na região, por isso optaram por essa estratégia. Esse sistema é o ponto central da iniciativa, no âmbito da metodologia utilizada, e permitirá ao agricultor introduzir outras espécies nas áreas de plantação.

Será um formato que, além de garantir uma alimentação sustentável para essas famílias, trará constantemente renda e trabalho, uma vez que o agricultor poderá aproveitar o período de pausa para plantar outras culturas e assim, gerar mais renda, enquanto aguarda o período de plantio de sua cultura principal.

A PARCERIA

Esse é o primeiro projeto originado da parceria Cooperast e Fundação Cargill. A parceria surgiu por meio do Edital Fundação Cargill 2019 e atualmente o projeto encontra-se em fase de balizamento das áreas para o início do plantio.

COOPERAST

Fundada em 2005, a Cooperativa de Desenvolvimento Territorial – COOPERAST surgiu através da necessidade do desenvolvimento de um trabalho diferenciado baseado em organização social e sustentabilidade na região de Itabuna, Bahia.

Seu principal objetivo é estimular e apoiar as iniciativas de desenvolvimento sustentável, fortalecendo a agricultura familiar através dos princípios Agroecológicos, com a prestação de serviços em Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER).

 


Ilhéus recebe 1ª feira orgânica na Avenida Soares Lopes

Com o objetivo de contribuir para cidades mais sustentáveis, a Rede de Agroecologia Povos da Mata promoveu na manhã da última sexta-feira (20), a 1ª Feira Orgânica de Ilhéus, na Avenida Soares Lopes, em frente à Tenda Teatro Popular. A iniciativa contou com a participação de expositores de Ilhéus, cidades circunvizinhas e da cidade de Porto Seguro, localizada no Extremo Sul da Bahia.

A proposta dos expositores é promover melhor qualidade de vida e o bem-estar da população em geral. Os visitantes tiveram a oportunidade de descobrir os benefícios extraídos da agricultura, além de degustar e levar para casa produtos feitos artesanalmente, com receitas próprias, a partir de matéria-prima orgânica.

“Hoje a sociedade busca produto limpo, saudável, sem veneno. Estamos aqui para mostrar que temos variedade, que o produto orgânico não é apenas coentro, cebolinha e salsinha. Nossos preços são justos tanto para o agricultor, quanto para o consumidor”, disse José Antonio Marfil, um dos organizadores da Feira.

Para a expositora de Maraú, Marisa Bastos, o alto índice de agrotóxicos nos alimentos tem impulsionado cada vez mais a busca por produtos saudáveis. “Quando consumimos produtos orgânicos com certificado de base agroecológica, estamos fomentando as famílias que estão no campo, a proteção das nascentes, da fauna e da flora”, disse.

Criada há quatro anos, a Rede de Agroecologia Povos da Mata, conta com 700 famílias, destas, 250 são certificadas. Com feiras em Itabuna, Itacaré, Serra Grande e nas Penínsulas, a Rede visualizou em Ilhéus um espaço promissor. “É muito importante todo o conteúdo que está por trás de um produto orgânico”, completou Marisa Bastos.


Empreendimentos da agricultura familiar podem acessar capital de giro

Cooperativas e associações agroindustriais da agricultura familiar da Bahia agora contam com financiamento de capital de giro, disponibilizado pelo Governo do Estado, por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), e da Agência de Fomento do Estado da Bahia (Desenbahia).

Denominada Coopergiro, a linha de crédito vai dar apoio ao cooperativismo no estado, proporcionando a ampliação das operações relacionadas à produção e comercialização de produtos sustentáveis, com prazo de pagamento e taxas competitivas. A linha de crédito é financiada com recursos do Fundo de Desenvolvimento Econômico e Social (Fundese).

De acordo com o coordenador de agroindústrias da CAR, Wanderley Gomes, a linha de crédito Coopergiro surge como uma grande conquista da agricultura familiar: “Com a criação da SDR, foi possível viabilizar o capital de giro para agroindústrias por meio da CAR e Desenbahia. Desta forma, temos um cenário bastante positivo quanto à operacionalização dos créditos que serão acompanhados por meio dos diversos programas de fomento e comercialização da CAR”.

bahia_cacau_semina_bemviver_2013_ssa_24_08_2019A Coopergiro está disponível para as agroindústrias apoiadas por projetos e programas executados pela CAR, que receberam orientações de como acessar a linha de crédito durante a Oficina Alianças Produtivas, que reuniu dirigentes de organizações da agricultura familiar baiana, apoiadas pelo projeto Bahia Produtiva, da SDR/CAR, para debater estratégias conjuntas de acesso a mercado na Região Metropolitana e grandes centros.

Para o Analista de Desenvolvimento da Desenbahia, Moisés Marcos, a CAR vem dando um apoio mais que profissional aos cooperativados: “O nível de gerenciamento aplicado pelo Bahia Produtiva, tendo como alicerce “Alianças Produtivas e estratégia de comercialização de produtos da agriculta familiar”, onde o plano de negócios, que foi muito bem elaborado, trilha sempre pela organização administrativa-financeira e o comprometimento dessas cooperativas, nos mostram que esse crédito será bem empregado. É preponderante que as cooperativas façam a sua parte na administração de seus negócios, porém, com essas diretrizes, ficou visível o sucesso e o progresso delas”.

As orientações para o acesso e as condições de elegibilidade das organizações produtivas que poderão acessar a Coopergiro estão disponíveis no site www.car.ba.gov.br. (fonte: SDR.gov)


SDR e Consórcio Ciapra firmam parceria para potencializar produção de cacau no Baixo Sul

cacau baixo sul (2)Para potencializar a produção de cacau no Território Baixo Sul, a Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) e o Consórcio dos Municípios do Baixo Sul (Ciapra) estão trabalhando juntos, afim de que 3.000 famílias sejam beneficiadas com serviço de assistência técnica e extensão rural (ATER). O objetivo é elevar a produtividade da lavoura cacaueira, aquecer a economia territorial e propiciar aos agricultores familiares mais empregos, geração de renda e qualidade de vida no campo.

cacau baixo sul (1) Foi aprovado o Plano de Trabalho e ainda este mês será firmado um convênio entre a SDR e o Ciapra, que vai viabilizar a oferta de ATER em 13 municípios que compõem o Consórcio. Na execução do convênio está prevista a aquisição de computadores, veículos, capacitações, oficinas e outras iniciativas que possam alavancar o protagonismo da cadeia do cacau no Baixo Sul.

Jeandro Ribeiro, chefe de gabinete da SDR, explicou que os resultados dessa parceria junto ao Ciapra são promissores, pois a ação vai além da orientação técnica de como cultivar o cacau, ela perpassa pelo cuidado com a base de produção, até o acesso ao mercado: “A Ater promoverá a regularização fundiária por meio do título de terra, regularização ambiental, via Cadastro Estadual Florestal de Imóveis Rurais (CEFIR), acesso ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) junto ao Banco do Nordeste, ou seja, o hall de ação do convênio agregará valor à produção e fortalecerá o acesso a um conjunto de políticas públicas”.


Feiras Agroecológicas trazem produtos da agricultura familiar para a capital

feira a 1De quinta a sábado, Feiras Agroecológicas montadas com o apoio da Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado (SDR) levam produtos da agricultura familiar baiana para pontos diferentes da capital. Nesta sexta-feira (6), o Salvador Shopping recebeu mais uma edição do evento, que visa dinamizar a comercialização da produção dos pequenos agricultores e estimular hábitos de alimentação saudável entre a população. Também recebem as Feiras Agroecológicas o Museu de Arte Moderna, na Avenida Contorno (quintas); a Praça das Artes, no Campus da Universidade Federal da Bahia (Ufba), em Ondina (sextas); e o largo do bairro da Saúde e o Circo Picolino, na Orla (ambas nos sábados).

A promoção dessas feiras integra a política do governo estadual de incremento e aporte à produção dos agricultores familiares, como destacou o coordenador da Superintendência da Agricultura Familiar da SDR, Ronaldo Souza. “A ação é uma determinação do governador Rui Costa e tem o objetivo de trazer esses produtos do interior para a capital. O governo tem apoiado fazendo a entrega de barracas, equipamentos e dando assistência técnica”, detalhou.

A feirante Noêmia Nepomuceno traz para Salvador o que a mãe produz no pequeno sítio no município de Mata de São João. “Recebemos o apoio do governo estadual e também da Ufba, e é de grande importância que tenhamos uma feira montada em um lugar como o Salvador Shopping, que garante grande acesso de pessoas”, ressaltou.

Nas feiras é possível encontrar hortaliças, verduras, legumes, raízes, frutas, itens in natura e outros tipos de produtos agroecológicos cultivados ou produzidos pelos agricultores familiares do estado.


Oficina debate estratégia para ampliação de mercado dos produtos da agricultura familiar baiana

josias_evento_coopeerativqsAlavancar a comercialização dos produtos da agricultura familiar, no atacado ou varejo, para que cheguem àsprateleiras das delicatessens, minimercados, restaurantes, rede hoteleira e de supermercados, armazéns e outros pontos. Esse foi um dos assuntos em destaque da Oficina Alianças Produtivas, realizada nesta quarta-feira (04), em Salvador. O evento reuniu dirigentes de organizações da agricultura familiar baiana, para debater estratégias conjuntas de acesso a mercado na Região Metropolitana e grandes centros.

A oficina foi promovida pelo Bahia Produtiva, projeto executado Companhia de Desenvolvimento e Ação regional (CAR),  empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR). Durante dois dias, representantes de 50 cooperativas, participaram de palestras, debates e formações estratégicas, para trabalhar em rede e conseguir de maneira conjunta, oportunidades de negócios.

Wilson Dias, diretor-presidente da CAR/SDR, avaliou que o encontro foi proveitoso: “Com  os encaminhamentos pactuados será possível  aperfeiçoar o apoio  do Governo do Estado para dar continuidade ao trabalho dessas cooperativas, para que elas alcancem os resultados previstos, que são melhorar sua base de produção, a comercialização e a renda dos agricultores”. Ele ainda lembrou que  “foi traçado um conjunto de ações que irão possibilitar a entrada dos produtos da agricultura familiar a partir do Centro de Distribuição e Comercialização para Salvador e Região Metropolitana”.

Vital de Carvalho, consultor da CAR, enfatizou a importância em trazer a força produtiva do campo para capital e regiões circunvizinhas: “70% do PIB da Bahia está concentrado em Salvador, e nos municípios do entorno; aqui estão os grandes supermercados. O desafio é as cooperativas assumirem  esse protagonismo, organizar os produtos, e, na hora que alguém precisar, disponibilizar do jeito que o consumidor quer”.

Avaliação

oficina_car_04_09_2019Juscelino Macedo, presidente da Cooperativa de Produtores Rurais do município de Presidente Tancredo Neves (Coopatan), salientou que o fortalecimento do comércio das cooperativas  é uma oportunidade de construir uma autonomia, para que as entidades tenham uma sustentabilidade financeira, para além dos subsídios que advêm das políticas públicas, via edital.

“O curso foi muito bom e eu acredito que a SDR,  junto com a CAR, está no caminho certo, dando esse incentivo para as cooperativas se especializarem, para se tornarem cada vez menos dependente do Estado. Foi muito produtivo o encontro, pois só trabalhando em conjunto será possível a gente ter mais competitividade com outras empresas”, observou Macedo.

De acordo com Carine Assunção, presidente da Cooperativa de Serviços Sustentáveis da Bahia (Coopessba), “esse evento foi importante para mostrar a nós dirigentes das cooperativas que temos que ser empreendedores e não apenas produtores, trabalhar de forma organizada, documentar tudo certinho, para que venha agregar valor à cooperativa e à produção num todo”.

Encaminhamentos

Fernando Cabral, coordenador do Bahia Produtiva, destacou que “agora é implementar os encaminhamentos e colocar em prática o que foi visto nesses dias de capacitação. Pelo edital Alianças Produtivas vocês [cooperativas] estão tendo profissionais na área de gestão, produção, plano de negócio e outros, para qualificar a comercialização dos produtos”.

Entre os encaminhamentos finais ficaram pactuados  entre a CAR/SDR e as cooperativas alguns pontos, sendo eles:  O estabelecimento de uma rotina de planejamento e avaliação das ações da equipe técnica e dos resultados alcançados a cada período na entidade; instituição de um comitê gestor das alianças produtivas, envolvendo cooperativas e empresas; implementação de soluções digitais que dinamizem a gestão   e outras ações técnicas que irão viabilizar de maneira concreta a execução do plano de negócios, para garantir êxito desde a base de produção até o consumidor final.(fonte SDR)


Associações Rurais são contempladas com diagnóstico participativo no Litoral Sul

equipe-tecnica-do-instituto-chocolate-realizou-o-drp-em-pancadinhaIdentificar os problemas, conhecer as demandas e traçar metas em busca de soluções é o objetivo do Diagnóstico Rural Participativo (DRP) do Projeto de Apoio à Rede de Associações Rurais, que está sendo realizado pelo Consórcio de Desenvolvimento Sustentável Litoral Sul. Nesta segunda-feira, 26, foram contempladas as Associações de Pancadinha, no município de Almadina e Vale Poço da Caça, em Itapitanga.

Ao todo, 30 associações da região serão visitadas por técnicos que irão aplicar a metodologia do diagnóstico participativo, visando identificar forças, oportunidades, fraquezas e ameaças que comprometem o desenvolvimento da associação. “A partir dessa análise, será possível orientá-los sobre como organizar e planejar ações internas”, destacou o coordenador do projeto, Raimundo José Gomes Nascimento.

Entre os associados, a maior queixa é relacionada às péssimas condições das estradas nas localidades, que dificultam o escoamento da produção, além da falta de capacitações e investimentos em projetos. Ao mesmo tempo, eles apresentam uma série de características positivas, como união, produção agrícola forte nos segmentos de mandioca, cacau, gado de corte, verduras e hortaliças que são pré-requisitos para uma associação forte.

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Comunidades rurais de Floresta Azul e Itajuípe recebem apoio de projeto de associativismo

Cumprindo o cronograma de visitação de 30 associações do território litoral sul através do Projeto Apoio à Rede de Associações Rurais, comunidades da zona rural do município de Floresta Azul receberam equipe técnica, nesta terça-feira, dia 20.

A ação aplicou a metodologia do diagnóstico participativo na Associação dos Pequenos Produtores e Moradores do Distrito de Santa Terezinha (APPMDSAT), localizada na região de Coquinhos, e na Associação dos Pequenos Produtores da Margem da Barragem e Região (APPMBR).

O diagnóstico rural participativo é a ferramenta que permite que as comunidades rurais façam o sua própria análise para que assim ocorra o auto gerenciamento do planejamento e desenvolvimento das associações. “É a partir desse compartilhamento de informações entre os membros associados que conseguimos orientar os produtores rurais para o melhoramento de suas habilidades de planejamento e ação”, explicou o coordenador do projeto de apoio a Rede de Associações Rurais do Litoral Sul. CDS-LS/ CAR, Raimundo José Gomes Nascimento.

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Projeto de apoio á Rede e Associações Rurais do Litoral Sul vista comunidade de Itacaré e Maraú

associacao-jovens-do-pa-santa-maria-marau-ba-1Para aplicar a metodologia participativa nas comunidades de agricultores familiares da região, a equipe que faz parte Projeto Apoio a Rede e Associações Rurais do Litoral Sul visitou neste sábado, dia 10, a Associação do Fojo, localizada em Itacaré e a Associação de Jovens Agricultores do PA de Santa Maria, em Maraú.

A ação faz parte das atividades de concretização do diagnóstico rural participativo realizado através do convênio entre a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural (SDR), a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) e o Consórcio de Desenvolvimento Sustentável Litoral Sul (CDS-LS).

O coordenador do projeto de apoio a Rede de Associações Rurais do Litoral Sul. CDS-LS/ CAR, Raimundo José Gomes Nascimento Junior, destacou a importância do diagnóstico rural participativo e explicou sobre as técnicas e ferramentas que permitem que as comunidades façam o seu próprio diagnóstico e a partir daí comecem a auto gerenciar o seu planejamento e desenvolvimento. “Desta maneira, os participantes compartilham experiências e analisam os seus conhecimentos, a fim de melhorar as suas habilidades de planejamento e ação”, finalizou Raimundo.

Para o Associação de Jovens Agricultores do PA de Santa Maria, Valdir Santos Ferreira, a visita da equipe traz informações relevantes para que a associação ganhe ainda mais com todo o suporte técnico disponibilizado. “A visão do projeto é ajudar para que a nossa organização seja ainda mais produtividade, com mais participação, empenho, colaboração e força”, disse Valdir.

Já para o presidente Associação do Fojo, Adilton Gomes da Cruz, o diagnóstico é importante para o desenvolvimento da associação, agregando fortalecimento interno dos associados para a organização social e produtiva.

O assistente administrativo do projeto de apoio a Rede de Associações Rurais do Litoral Sul, CDS-LS/ CAR, José Rivaldo Lopes, explicou que a equipe técnica faz uma análise com o objetivo de esclarecer e identificar junto à comunidade aspectos importantes para realização de um planejamento estratégico que possa apontar para um desenvolvimento seguro e continuo.


Corte em verbas para assentamentos afeta agricultores e eleva tensão rural

assentamentoDo Uol

Chegar nos dias de chuva ao assentamento Flor do Bosque, em Messias (AL), a 39 km da capital Maceió, se tornou uma tarefa impossível para um veículo motorizado. Nem mesmo os caminhões que levam agricultores às feiras ou os ônibus escolares conseguem trafegar no local. Além disso, há anos os agricultores não têm assistência técnica nem financiamentos e têm de conviver com invasores que ocuparam parte das terras tituladas desde 2007.

Ao longo dos últimos dez anos, os recursos para projetos de assentamentos sofreram vários cortes, chegando, em 2018, a R$ 597 milhões, uma queda de 68%, em valores absolutos, com relação a 2008, quando foi repassado R$ 1,9 bilhão (R$ 3,4 bilhões com a correção da inflação no período, segundo o IPCA). Os valores foram informados pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), via pedido feito pela LAI (Lei de Acesso à Informação).

Para o MPF (Ministério Público Federal), há hoje uma paralisia da reforma agrária, o que causa problemas e eleva a tensão no campo.

No primeiro semestre deste ano, o Incra não repassou recursos para créditos de instalação aos assentamentos e tornou a situação ainda mais complicada. A falta desses repasses chamou a atenção da PFDC (Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão), que fez uma cobrança ao órgão no dia 27 de junho. ”

Desde fevereiro, o Incra não realiza a liberação de recursos destinados à concessão de Créditos Instalação, nas suas diversas modalidades, apesar da existência de recursos financeiros”, afirmou a procuradoria em ofício ao órgão.

O Crédito Instalação é a primeira etapa de financiamento garantido pelo Incra aos agricultores de assentamentos e possui vários setores de investimento. Isso inclui apoio inicial, fomento, recuperação ambiental e habitação.

Os beneficiários do Programa Nacional de Reforma Agrária teriam à disposição linhas de crédito que permitem desde a instalação no assentamento até o desenvolvimento de atividades produtivas nos lotes.

Maria José da Silva, 64, aposentada, mora com dez pessoas no assentamento e reclama de problemas estruturais - Beto Macário/UOLSegundo o procurador da República Julio Araujo, que integra o grupo de trabalho sobre a reforma agrária na PFDC, existe hoje uma paralisia no tema. “Hoje temos dois problemas mais importantes.Primeiro, essa paralisia muito grande, passando por questões políticas, que compreendem a reforma agrária em si e os processos depois, como acesso a créditos e a programas relacionados. Além disso, temos uma falta de transparência. Isso aprofunda a violência no campo, pelos conflitos rurais, que se agravam nessa condição”, diz Araujo.

Em resposta à PFDC, o Incra afirmou que retomou os créditos de instalação em julho. “Nossa primeira preocupação é que esses créditos cheguem até os assentamentos. Isso tem que ser feito pelo acompanhamento das realidades locais. É importante que todos os órgãos que atuam nesse setor acompanhem isso. Caso os recursos não cheguem como o prometido, avaliaremos alguma outra ação”, afirma.

Para o procurador, o cenário de bloqueio de verbas e falta de assentamento de novas famílias elevam a já grande tensão no campo. “Isso tem relação com o cenário de violência, pois, quando não há concretização da reforma, há uma tendência de violência. Para piorar, uma nova componente de titulação de terra definida pelo atual governo vai contra a reforma agrária que os movimentos sociais propõem. São projetos distintos de reforma e que têm efeito na concretização do projeto constitucional”, avalia.

Problemas se acumulam

Sem recursos, os assentamentos acabam sofrendo com uma série de problemas estruturais. No caso do Flor do Bosque, em Messias, os principais são a falta de assistência técnica e de manutenção das vias de acesso. Maria Cavalcanti, 40, é líder dos agricultores do assentamento, onde vivem 62 famílias –originalmente o local foi destinado a 35 lotes para famílias. “Só tivemos assistência técnica por um curto período, entre 2009 e 2010. Desde lá nos viramos sozinhos”, conta.

Após chuva, Maria Cavalcanti mostra as condições da estrada para chegar ao assentamento Flor do Bosque, em Messias (AL) - Beto Macário/UOLO assentamento foi criado em novembro de 2007, resultado de uma primeira ocupação da CPT (Comissão Pastoral da Terra), em novembro de 1998, em terras de uma usina falida. Com o passar dos anos, o local passou a ter uma série de problemas. “Como as estradas não estão boas, crianças precisam andar até 1 km para pegar o ônibus escolar, que deveria buscá-las em casa”, diz Maria.

Ela diz que boa parte das terras foram ocupadas por pessoas não assentadas. “Nós nunca chegamos a ter contato com elas, mas isso nos preocupa porque elas são invasoras e fora da ideia de reforma agrária”, completa.

Maria José da Silva, 64, mora no local desde que houve a ocupação e conta que planta muitos alimentos no local. Na casa dela vivem 11 pessoas: ela, três filhos, cinco netos e dois bisnetos. “Eu era cortadora de cana, vir para cá foi como ir para o céu. Aqui só falta estrada boa e assistência técnica”, conta ela. “Hoje mesmo o ônibus escolar atolou, e a gente teve de esperar empurrarem”, afirma o neto João Manuel, 7.

Já Valdilene de Araújo, 37, reclama que falta também uma casa de farinha para processar a mandioca plantada e colhida pelos agricultores. “Faz muita falta, toda comunidade deveria ter uma casa dessas para que a gente pudesse produzir. Prometem, mas não fazem”, afirma.

Outro lado

Procurado pelo UOL, o Incra não quis informar os valores investidos em assentamentos neste ano e sugeriu que os dados fossem consultados pela reportagem no Portal da Transparência. “[Os recursos] estão sendo investidos em cada área conforme as necessidades impostas”, disse o órgão. Entretanto, a reportagem não encontrou no portal dados com valores específicos para assentamentos.

O Incra ainda informou que, para este ano, “está prevista a aplicação de cerca de R$ 170 milhões para a construção de 5.000 casas em assentamentos e de R$ 8,5 milhões para a emissão de 25 mil títulos definitivos de posse. Com o objetivo de intensificar a emissão de títulos definitivos, foi lançada recentemente a Operação Luz no Fim do Túnel”, informou o instituto.

Ainda segundo o órgão, “também estão previstas ações de supervisão ocupacional, topografia e supervisão e acompanhamento da aplicação dos recursos das modalidades do Crédito Instalação voltadas a apoiar o desenvolvimento de atividades produtivas nos lotes”.

Recursos para projetos ligados a assentamentos (em parênteses, os valores corrigidos com a inflação no período, segundo o IPCA)
2008 – R$ 1,9 bilhão; (R$ 3,4 bilhões); 2012 – R$ 1,2 bilhão (R$ 1,7 bilhão), e 2018 – R$ 597 milhões.