A insegurança do presidente

marcos-wensePor Marcos Wense

Jair Messias Bolsonaro precisa entender que foi eleito presidente da República, que vai comandar o Brasil por quatro anos, que sua responsabilidade é maior do que a extensão territorial do país.

Portanto, não pode ter um comportamento que transmita insegurança, aumentando a percepção de que as coisas não andam bem, que não existe uma sintonia no governo, uma meta a ser seguida.

Não pode a autoridade máxima do Poder Executivo ter uma opinião, torná-la pública, e depois ter que voltar atrás porque “se equivocou”, como disse o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, no caso do aumento da alíquota de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

Como não bastasse a interferência de Onyx, Marcos Cintra, secretário especial da Receita Federal, negou qualquer modificação na alíquota do referido imposto. “O presidente deve ter feito alguma confusão”, disse Cintra assim que tomou conhecimento da declaração de Bolsonaro.

Não é a primeira vez que Jair Messias Bolsonaro cria problemas quando expõe sua opinião. A virtude fica por conta de reconhecer que errou, o que já é um grande alívio.

Outro ponto, que merece uma atenção mais apurada do presidente, diz respeito ao relacionamento entre seus ministros, para que eventuais desentendimentos sejam evitados, como vem ocorrendo entre Onyx e Paulo Guedes, ministro da Fazenda.

Fica parecendo, pelo andar da carruagem, que o presidente Bolsonaro não conversa com seus auxiliares sobre determinados assuntos, o que acaba provocando esse disse-me-disse.

A imprescindível reforma previdenciária não pode ficar sob essa guerra de informações desencontradas, com cada um dizendo o que pensa sem medir as consequências.

Toda essa disputa entre os homens de confiança do presidente tende a ficar mais acirrada com o fim do instituto da reeleição. É bom lembrar que Bolsonaro já declarou que é contra o segundo mandato consecutivo.

Marcos Wense é analista politico de Itabuna


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