A disputa eleitoral no PT

marcos-wensePor Marcos Wense

De início devo dizer que o PED (Processo de Eleições Diretas) do Partido dos Trabalhadores é exemplo de como se deve escolher os dirigentes partidários, com os filiados votando e exercendo democraticamente sua vontade política.

Os petistas vão votar na chapa nacional, estadual, municipal e no postulante à presidência do diretório local. O PED é a primeira etapa do PT visando as eleições de 2020 com os olhos voltados para 2022.

E aí não tem como não lembrar das famigeradas comissões provisórias, assentadas no manda quem pode, obedece quem tem juízo. São quase sempre usadas como instrumento do mandonismo dos que se acham proprietários das legendas, inimigos da imprescindível democracia nas agremiações partidárias.

O PED do PT de Itabuna vai ficar na história do partido como um dos mais disputados, com três bons nomes postulando o comando do diretório municipal: Jackson Moreira, Miralva Moitinho e Valdir Mesquita.

O que não é verdade é a informação de que o processo eleitoral acontece sem atrito e de maneira civilizada, tudo na santa paz. Não é bem assim. O pega-pega, antes restrito aos bastidores, se tornou público.

Flávio Barreto, atual presidente do PT de Itabuna, ligado ao ex-prefeito Geraldo Simões, disse ontem nas redes sociais que “a verdade vencerá o ódio e a mentira”, obviamente se referindo a falsa notícia de que Geraldo teria jogado a toalha e admitido a vitória de Miralva.

Mais uma prova de que o clima da disputa é acirrado e com golpes abaixo da cintura, foi a divulgação do registro de filiação de Thiago Feitosa, filho de Geraldo, no PSL, hoje o partido do presidente Bolsonaro. Ora, ora, que bobagem, hein! O fato aconteceu em 2013.

O PED acontece hoje. Que o resultado seja aceito por todos. É evidente que a vitória de Miralva ou de Valdir significa uma reviravolta no petismo itabunense, com a cúpula estadual do partido sendo derrotada, o que vem a fortalecer o movimento que prega candidatura própria ao governo do Estado na sucessão de 2022.

Até as freiras do convento das Carmelitas sabem que lá na frente os dois PTs vão se confrontar. O que segue a orientação do governador Rui Costa e o mais próximo do senador Jaques Wagner.

Marcos Wense é analista político


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